Folha desmonta o vitorioso Projeto Folha de Jornalismo

Talvez não seja coincidência que alguns jornais deixaram de referir-se a seus princípios e valores, como isenção, independência, compromisso com os fatos e com a verdade. É que as plataformas da internet ensinaram que deve-se dar espaço não ao que é bom, certo e verdadeiro, mas ao que faz sucesso — viraliza, gera atenção e interação. É possível que alguns veículos de comunicação respeitáveis estejam lentamente aderindo a esta nova filosofia. Alguns deles até por acreditarem se tratar de uma questão de sobrevivência.

O jornal paulista Folha de S. Paulo, nos anos 1980/1990 conquistou a liderança em circulação líquida paga em todo o Brasil, ultrapassando Globo, Estadão e JB ao se diferenciar apoiando a campanha “Diretas Já” e fazendo um jornalismo ousado,  de qualidade, independente e crítico, com compromisso com os fatos, buscando a precisão da notícia e a diversidade de opinião. A Folha subiu e ganhou credibilidade e a liderança 

Deve isso também a pessoas brilhantes, como Cláudio Abramo, Jânio de Freitas, Clovis Rossi, Luís Nassif e os próprios Frias, pai e filho.

Nos últimos anos a Folha resolveu, tudo indica, desmontar o Projeto Folha. E a economia virou mercado. Todas essas pessoas já estão fora do jornal e sem substitutos à altura. Recentemente, afastaram Jânio de Freitas, depois Cristina Serra, agora Reinaldo Azevedo, profissionais de altíssimo nível. A unidade familiar entre os Frias desfez-se com a morte de Octávio pai e Octávio Filho. Assumiu o comando o Frias com mais tino comercial. A família alçou um negócio bilionário que está cada vez mais perto de virar um grande banco.

E a linha editorial não é mais aquela que ganhou respeito e admiração em todo o Brasil. O posicionamento está mais afinado com as expectativas do “mercado” e menos distante da lógica das redes sociais. 

Perde o jornalismo.

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