Folha e Globo fazem jornalismo enviesado pela privatização

A imprensa tradicional brasileira tem um viés francamente negativo contra a empresa estatal e um viés positivo a favor da empresa privada. Seria possível fazer um debate equilibrado, rico e crítico sobre as organizações de negócios. Certamente há condições de prestar melhores informações e análise nesse campo, talvez começando pelo que aconteceu no mundo em tempos recentes. Eis um olhar rápido sobre a cobertura.

O escândalo da fraude contábil de quarenta bilhões de reais nas empresa Lojas Americanas, do festejado bilionário Jorge Paulo Lemman, não gerou, na imprensa tradicional, nenhuma onda de indignação e cobrança aberta e severa de punição legal. Na verdade, não foram poucos os jornalistas de certo prestígio que chegaram a fazer a defesa do citado empresário, como o fez Carlos Alberto Sardemberg, nos primeiros dias depois do evento, ao lhe ressaltar a competência e sua obra social, através da Fundação Lemman. De um modo geral, toda a imprensa tradicional foi generosa na notícia e nas análises do assunto, comportamento inverso ao adotado pelos veículos da mídia alternativa, que carregou nas tintas.

A explicação é simples. Toda a imprensa tradicional (Globo, Folha, Estadão, Veja, CNN, Sbt e Bandeirantes, basicamente) defende aberta e fortemente a privatização e fustiga refgular e firmemente todas as estatais, principalmente aquelas que atraem o interesse de grupos privados, como são os casos, de Petrobrás, Eletrobrás, Correios e outras de menor porte.

Neste sábado à tarde, como tem sido feito regularmente, a Globo News leva ao ar um programa mais popular, tratando de interesses e direitos das pessoas pobres. O programa mostrava moradias precárias, energia feita de gambiarras (quando havia energia) e falta de água encanada e esgoto. Da metade para o fim, o programa concentrou-se na cobertura quase exclusiva da questão de saneamento (água e esgoto) num evidente apoio ao Marco do Saneamento.

No mesmo momento, a Folha de S. Paulo forçou uma manchete sobre a simpatia dos brasileiros pela privatização com o Datafolha enviesando a pergunta.  Tratou o assunto como se a preferência fosse maior pela privatização.

Seria perfeitamente possível fazer uma defesa inteligente e transparente da privatização, pois pode haver méritos e vantagens. A imprensa tradicional não faz porque, entre outras razões, porque as privatizações recentes têm sido feitas de maneira duvidosa, para não usar a palavra marginal. O caso da privatização da Eletrobrás é exemplar. Foi privatizada, mas não foi vendida, o Tesouro Nacional nada recebeu para abrir mão do poder de controle.

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