Há jornalistas que aprendem a entrevistar economistas

No programa semanal das noites de domingo da Rede Bandeirantes, o tradicional Canal Livre, o entrevistado foi o economista Marcos Lisboa, ex-presidente do Insper, que é uma das visões mais críticas sobre a administração pública de um modo geral e sobre a economia em particular. Lisboa costuma fazer uma avaliação severa, mas normalmente elegante, sobre governos.

Como tem ocorrido com todos os economistas “de mercado”, há uma espécie de orquestra de condenações à estratégia do atual governo federal de não cortar gastos. Por outro lado, contraditoriamente, defendem os juros altos da tática do Banco Central — de longe o maior gasto público, acima de 750 bilhões de reais por ano.

A imprensa tradicional só entrevista economistas simpáticos ao “corte de gastos” e não entrevista quem defende corte de gastos com juros. É uma regra não escrita, mas aparentemente sagrada.

Neste Canal Livre, o jornalista Fernando Mitre, que é diretor da Band, surpreendeu o experiente e habilidoso Marcos Lisboa com uma pergunta simples: como explicar que o juro do Banco Central seja 10,5 % ao ano, quando a inflação é só 4 % ao ano, o que justifica tamanha distância?

Marcos Lisboa não respondeu, escorregou pela tangente. Só cuidou de mais uma vez defender o juro alto.

Fernando Mitre repetiu a pergunta mais duas vezes. Marcos Lisboa evitou responder à questão. Mas de novo defendendo o juro alto.

O jornalista cumpriu seu papel. O telespectador percebe e aplaude. Não fica bem jornalista fazendo papel de bobo todo dia.

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