A tradicional imprensa brasileira não costuma fazer defesa de ONGs, normalmente prefere noticiar apenas suas ações mais inusitadas e assim manter o estigma que acaba comprometendo suas imagens. É a prática regular para ONGs de defesa do meio-ambiente, de direitos humanos, de minorias, de imigrantes etc, nacionais ou estrangeiras. Algumas conseguem ser exceções (que confirmam a regra) e as televisões até veiculam anúncios apoiando projetos de captação ou se unem em parcerias, como Médicos sem Fronteiras ou Unicef.
A ONG alemã Transparência Internacional, fundada em Berlim, em 1993, por um ex-executivo do Banco Mundial, virou exceção marcante nos últimos dias. Veículos diversos (como TVs por assinatura Globonews, CNN, Band e jornais como Estadão e Folha) posicionaram-se numa trincheira a favor da inocência da TI, acusada de articular com a força tarefa da LavaJato uma consultoria para “modelar” a gestão de bilhões de reais de multas arrecadadas em acordos judiciais bilionários.
Membros do Ministério Público queriam driblar a obrigação de recolher o dinheiro automaticamente ao Tesouro Nacional e criar uma ONG gestora da grana e direcionar ações contra a corrupção. E isto é ilegal, a lei proíbe, é crime, portanto.
Quanto à ONG Transparência Internacional, privada e sujeita a menos limites legais, por sua natureza tem de agir dentro de limites éticos rigorosos. No caso, houve uma tentativa de avanço sobre dinheiro público, ainda que sob regras sutis de contratos espertos. A imprensa tradicional assume uma defesa frágil e ingênua, os indícios e documentos das tratativas entre a TI e membros do MP na LavaJato são maliciosos.
A imprensa tradicional sabe que foi longe demais e comprometeu-se demais com os absurdos da LavaJato, mas não reconhece o erro e não muda de atitude. A imprensa prendeu-se a estes erros e absurdos e parece definitivamente presa a eles. E só afunda.
O caso está sob exame da Justiça há pelo menos três anos e há farta documentação disponível e aberta à imprensa, que os ignora e tudo noticia superficialmente.