A super exposição do poder judiciário, que começou no “mensalão” e se superou na cobertura da operação LavaJato pela imprensa tradicional segue produzindo frutos maus. Os excessos se sobrepõem e a imprensa não se corrige, nem propõe lei mais severa para regular mais nitidamente o que pode e o que não pode um juiz , assim como militares, policiais e procuradores.
Nesta sexta-feira mais um destacado colunista aborda o assunto com o gancho dos acontecimentos na reunião da União Nacional dos Estudantes – UNE.
Hélio Schwartsman entra em um território controverso em seu artigo para a Folha, ao questionar a exposição exacerbada e as declarações públicas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. Ele argumenta que essa ânsia por holofotes pode colocar em xeque a imparcialidade dos ministros e prejudicar seriamente a imagem da corte.
O autor destaca o caso recente do ministro Luís Roberto Barroso, que, durante um evento da UNE, proferiu a polêmica frase “derrotamos o bolsonarismo”. Essa declaração gerou sugestões de impeachment por parte dos simpatizantes do ex-presidente, alimentando a narrativa de uma suposta conspiração das elites estatais contra o seu grupo político.
Além disso, Schwartsman expressa sua preocupação com o processo de recrutamento dos ministros do STF, que aparentemente favorece candidatos com um perfil político, resultando na seleção de indivíduos que desfrutam de estar em evidência e cultivam relações estreitas com os poderosos. Ele argumenta que essa tendência compromete a imparcialidade das decisões e mina a reputação da corte.
O autor sugere a adoção de uma cultura de discrição ministerial, na qual os ministros falem menos, evitando assim situações em que precisam se retratar por palavras imprudentes. Embora admita que não exista uma solução óbvia para esse problema, Schwartsman lança uma provocação essencial sobre a imagem e a credibilidade do STF.