O capitalismo não costuma perdoar erros estratégicos graves e continuados. Na linguagem popular do mundo dos negócios, costuma-se usar uma síntese cirúrgica: dinheiro não aguenta desaforo. Lembrem o mercado de comunicação há poucos mais de duas décadas. Agora olhem pra ele agora: tudo se inverteu, quem era fraco ficou forte, e vice-versa…
O planejamento estratégico é saber dominado e ferramenta eficaz para guiar pessoas e negócios. Feito regularmente, continuamente e com bom senso, ajuda a entender e a reagir a mudanças, ou antecipar-se a elas. Vencê-las. Análise da situação, definição da identidade estratégica, avaliação de forças e fraquezas internas e ameaças e oportunidades externas, leitura de cenários futuros…sofisticado e simples ao mesmo tempo.
Paga um preço alto quem não o faz ou quem o faz errado.
É impressionante a quantidade e a gravidade dos erros estratégicos que a grande imprensa cometeu contra si mesma no Brasil e no mundo dos últimos 20 e poucos anos. As redes sociais e a internet Foram recebidas pela imprensa aqui lá fora de uma maneira ingênua e infantil, como se fosse uma boba inovação tecnológica e que beneficiaria a todos.
Não demorou muito e ficou claro que as Big techs vieram pra ficar, vieram pra dominar e também para destruir a força e até a credibilidade da imprensa tradicional. Desde os primeiros momentos, os empresários da impressa tradicional agiram e reagiram como os crianças deslumbradas com uma espécie de novo brinquedo. Entregaram ingenuamente e gratuitamente seus produtos, seus serviços, suas marcas e sua clientela em troca de nada.
Engordaram e fortaleceram o monstro que lhes destruiria. Além de meras ilusões, além de promessas de ganhos futuros (que ainda não chegaram tanto tempo depois), nada receberam, só entregaram, só perderam.
Toda essa trajetória de duas décadas e meia está marcada por pequenos, médios e grandes erros estratégicos que trouxeram a imprensa tradicional ao ponto em que está, frágil, insegura.
Com suas audiências reduzidas e o seu prestígio e sua força política abalados, a imprensa vacila e só declina. Estamos quase no momento em que as redes sociais estão virando notícias e os meios de comunicação tradicionais se submetem a dar espaço e repercussão ao que acontece nas redes sociais. Esta é uma inversão que atesta a incompetência estratégica dos veículos de comunicação tradicionais.
Foram foram necessários muitos erros até chegar a este ponto Alguns veículos de comunicação estão mesmo imitando as redes sociais, abandonando princípios e valores e adotando o vale-tudo dos modelos e algoritmos das redes sociais,
Como se fosse um processo de autodestruição inevitável e imposto pelas gigantes big techs com crueldade.
Os empresários de comunicação Tradicionais foram completamente incapazes de fazer a leitura correta dos cenários futuros por décadas. E continuam sem saber como agir para proteger o seu negócio, para proteger a informação como mercado e para proteger a própria sociedade. Enquanto as Big tech nadam de braçada em mares de centenas de bilhões de dólares e operam sem limites (legais, institucionais, políticos) e sem controles (regulações, tributações, limites) no mundo inteiro, os veículos tradicionais continuam patinando nos seus pequenos mundos regionais, lutando para conseguir não mais do que sobrevivência, assistindo, impassíveis, o declínio do seu poder e aproximando-se da própria extinção.