Jornais e pesquisas: qual dos dois tem credibilidade para emprestar ao outro?

Está aberta a temporada de pesquisas sobre as eleições municipais que ocorrerão daqui a 14 meses.  Na verdade, as pesquisas já estavam sendo feitas há algumas semanas. O que começou agora foi a divulgação dos números nos meios de comunicação. Devido às características convenientes (espaço farto para números, gráficos, comentários, metodologia…), os jornais parecem ter prioridade. Os outros veículos noticiam, comentam e repercutem.

A questão é que a necessidade de credibilidade é enorme. Os jornais ainda têm alguma reserva de credibilidade e a dividem com institutos de pesquisas — do mesmo modo só alguns institutos de pesquisa têm seu próprio saído de confiabilidade.

Recentemente, um especialista na área, em entrevista televisiva, citou estudos que apontam que menos de um em cada quatro eleitores têm informação e capacidade de análise (política, econômica, histórica, leitura do contexto  etc) para escolher com consciência e rigor um candidato e possivelmente ter (e manter) clareza e convicção sobre sua opção.

Fosse um pouco maior (ou menor) esta proporção, a volatilidade dos números das pesquisas continuaria alta, porque há inúmeros outros fatores que fazem o eleitor mudar sua intenção ou seu voto. 

Ultimamente, nestes tempos de pós-verdade e fake news, estas duas instituições, pesquisa e jornais, sofrem abalos e provocam rombos em sua própria credibilidade. É inimaginável a quantidade de pesquisas falsas ou manipuladas que chegarão ao eleitor, por exemplo, pelas redes sociais e empresas de mensagens.

O eleitor que se defenda. Tudo indica que vai ser uma guerra também de (des)informação.

Um novo efeito cada dia mais perverso das pesquisas eleitorais é que os analistas políticos estão se tornando apenas analistas de pesquisas eleitorais. É uma espécie de efeito “mercado” na política. As campanhas e as disputas estão imitando o comportamento e as oscilações da bolsa e do dólar.

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