O número de cidades e os quantitativos de pessoas que foram para rua neste sábado são expressivos e evidentes demais para que possam ser ignorados por grandes jornais em suas edições deste domingo. Globo e Estadão deram notas miúdas na capa, só a Folha destacou e ilustrou com foto, apesar de usar palavras moderadas. Não é possível achar no jornalismo profissional uma explicação.
Tal procedimento (com antecedentes históricos) autoriza e estimula especulações, como a dos interesses constantes da “agenda do Guedes“, que a imprensa continua defendendo. A grande e única agenda relevante é a agenda de negócios de venda de empresas públicas. As muito citadas “reformas” ficaram para trás e apenas algumas privatizações ainda faltam. Eletrobrás, Correios e pedaços pendentes da Petrobrás.
É o que falta da “ponte para o futuro” que só consegue andar em governos como os de Michel Temer e Jair Bolsonaro e com ministros da Economia tipo Henrique Meirelles e Paulo Guedes, com origem no coração do sistema financeiro.
Mesmo com a crise hídrica e com eventos de apagão localizados, mesmo admitindo-se a possibilidade concreta de racionamento, a imprensa tradicional não recua de passar quase gratuitamente para um grupo privado o trilionário negócio chamado Eletrobrás.