Jornal Nacional e o critério para tempo x relevância

Nesta sexta-feira, 13, o Jornal Nacional, da Rede Globo, foi acompanhado por uma jornalista para os observar os espaços de tempo como indicadores da prioridade dos temas tratados.

No primeiro bloco de notícias, que durou 19 minutos, um destaque foi a matéria sobre as criptomoedas, que estão com suas cotações em queda no mundo inteiro há dias. O tema ocupou 4 minutos.

No segundo bloco, o desdobramento da morte de uma jornalista por militares israelenses ocupou menos de 30 segundos.

No terceiro bloco a transferência de duas aliás (fêmeas do elefante) da Argentina para um parque brasileiro consumiu 2 minutos.

No último bloco o tema das urnas eletrônicas e trechos de uma palestra do presidente do Tribunal Superior Eleitoral Edson Fachin durou perto de 5 minutos, sendo a metade mostrando a fala do ministro na tribuna de um congresso de magistrados em Salvador.

Em jornalismo televisivo não há regras rígidas para o tempo de matérias. Entretanto, o tempo dedicado é um importante sinal da relevância— mais tempo, mais importante, e vice-versa, um tema mais importante merece mais tempo.

As criptomoedas são investimentos complexos, sofisticados e especulativos, além de recentes. Interessam, pois, a pouca gente.

Morte violenta de jornalista com repercussão mundial costuma ter prioridade, mesmo dois dias depois. Mas, no caso, teve um quarto do tempo cedido aos dois animais.

 

Um dia apenas não é suficiente para avaliar o critério do JN na relação tempo x relevância.

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