A cobertura da grande imprensa continua com suas características do período mais glorioso da operação Lava-Jato, protegendo o ex-juiz e hoje ministro da Justiça Sérgio Moro de qualquer crítica, evitando comentar os embaraços que ameaçam o procurador Deltan Dallagnol, do Ministério Público do Paraná (duramente afetados em sua credibilidade pelos vazamentos do The Intercept Brasil), e poupando de qualquer notícia desfavorável o procurador geral da Repúblico Augusto Aras, que assumiu há menos de um mês.
Como Ministro, Sérgio Moro tem sofrido reveses de todo tipo no Congresso Nacional e constrangimentos na relação com seu chefe, o presidente da República, que ora o constrange, ora o elogia. E, principalmente, tem feito vista grossa a eventos ampla e abertamente noticiados. Apesar de não contar vitórias administrativas, o ministro continua sendo tratado quase como um herói da batalha contra o crime. A mesma lógica vale para relevar os problemas de Dalagnol. Quanto ao Procurador-Geral, a tolerância faz algum sentido, já que sequer esquentou a cadeira.
Mais blindado e mais bem tratado pela imprensa que Sergio Moro só o ministro Paulo Guedes, da Economia. Este, sim, uma unanimidade absoluta. Mas isso é outra história.