É preciso dar um crédito especial ao jornalista Luis Nassif, editor do Jornal GGN, uma plataforma de qualidade do que se costuma chamar de imprensa alternativa, ou simplesmente blog. Nassif é o profissional que, salvo melhor juízo, foi o primeiro a jogar uma âncora para o futuro e começar a desenvolver a ideia de que mais à frente, logo ali, o Brasil vai reencontrar-se com a sua democracia e com seu estado de direito. Foi o primeiro, algum tempo já se passou (mais de um ano) e continua sendo talvez o único.
Não se trata de uma proposta lançada no vazio. Ela se funda no jornalismo que investiga e relata os absurdos que estão ocorrendo no campo político, no poder judiciário, na imprensa e no mundo dos negócios (sobretudo de privatizações, mas não só) e lança um alerta aos que estão atuando à margem da legalidade, completamente fora da racionalidade. O alerta diz que os rastros ficam e no futuro haverá auditorias e responsabilidades serão cobradas duramente. Não há garantia de impunidade.
Nassif vai muito além da advertência aos mais ousados. Ele fala aos mais equilibrados de que a consciência está sendo recobrada e que o diálogo entre os líderes pode estar começando, seja na costura de um amplo pacto político, seja na formatação de um simples entendimento de reconstrução do que está sendo destruído, seja na formulação de um plano para o futuro. O entendimento deve reunir esquerda e direita, políticos e empresários, trabalhadores e religiosos etc. Todos abrem mão de posições individuais em favor do coletivo. E sem necessidade de autocrítica, por exemplo.
O jornalista, que tem uma longa e consistente trajetória profissional, aponta temas novos para o momento novo que virá: novas maneiras de tratar a desigualdade, novos avanços na questão do meio-ambiente, redefinição do papel do Estado, um pacto econômico pelo desenvolvimento, o papel da ciência e da tecnologia, o novo jornalismo… na mesma sintonia de um movimento mundial que reúne personagens como Josef Stiglitz, Naomi Klein, aquele Nobel de Economia, esta ativista sócio-ambiental, para citar apenas os mais conhecidos.
O jornalista, ao jogar esta âncora para o futuro, mostra que acredita no Brasil. E não desiste, no que faz bom jornalismo.