Há um desvio significativo sempre que se acrescenta um adjetivo a um substantivo que se define por si só e tem história de séculos, com uma trajetória verificável. Nos anos 1990 e início dos anos 2000, os mercados financeiros produziram uma bolha com as ações das empresas de tecnologia ao criarem, estimularem o uso e até abusarem do termo “nova economia”. Como era previsível, a bolha explodiu e milhões de pessoas tiveram prejuízos com centenas de empresas que vinham sendo incensadas (e suas ações valorizadas) sem que se mostrassem capazes de dar lucro. Num exemplo mais local e mais recente, cunhou-se a expressão “nova política”, para sugerir um novo modo de atuar na vida pública e na administração da máquina oficial. Só uns poucos se enganam, mas logo se percebem enganados e voltam à realidade. A questão do adjetivo torna, pois, o substantativo menor, frágil, falso.
É o que está acontecendo agora com o jornalismo, que ganhou o adjetivo e virou “jornalismo lavajatista”. E profissionais da área ganharam junto a denominação “jornalista lavajatista”, E há os mais representativos e os mais radicais. Estão sempre colocando a corrupção como tema central do país, estão sempre pautando os assuntos policiais nas suas manchetes e os seus destaques e estão sempre debatendo a lei e o funcionamento do poder judiciário, suas instituições e seus membros. E sempre tomando partido, não raras vezes contra a Contituição, contra a Lei e até contra o bom sendo – alegando estar em sintonia com o desejo do povo ou “a vontade das ruas”. Apequenam-se , assim, o jornalismo e os jornalistas.