Causa profundo estranhamento observar o espírito crítico da imprensa brasileira tradicional. A prática jornalística dos veículos de maior audiência (Globo News, CNN, Folha, Estadão) aponta para um paradoxo: a cobertura leva a audiência a entender que o Brasil piora quando o desempenho econômico melhora; e que o Brasil melhora quando o desempenho piora.
Neste exato momento que vive a economia do país está especialmente fácil e simples perceber: o crescimento econômico estimado em 3,5 por cento em 2024 e os níveis recordes de emprego são avaliados como geradores de incerteza e comprometedores do futuro. Como assim? Que história maluca é esta? Em outras palavras; os bons índices deviam ser comemorados, mas são noticiados e comentados como ameaças.
Outro exemplo evidente: a imprensa saúda como positivo o aumento enorme da taxa de juros da divida pública. A imprensa não percebe a contradição? Claro que percebe. Aumentar o juro significa aumentar gastos, e a bandeira primeira da mídia tradicional é cortar gastos. Onde está a lógica?
Não precisa ser gênio para ver o absurdo, a esquisitice. O bom é noticiado como ruim. O ruim é noticiado como bom. E jornalistas e economistas se contorcem para defender o indefensável.
Conclusão: pelo prisma da imprensa tradicional, o Brasil precisa piorar muito para melhorar um pouco.
Governos passados tiveram índices medíocres e foram aplaudidos. A senha era “governo liberal”, “agenda liberal”, “privatização”, coisas do tipo, que agradam e encantam apenas o “mercado”. Como se apenas o mercado fosse importante.