Manifestações violentas no Equador, revolta nas ruas do Chile, instabilidade institucional grave no Peru, reviravolta política (e desastre econômico) na Argentina, autoritarismo na Venezuela, tendência de radicalização da direita no Brasil e uma sensação forte de que velhas verdades estão se mostrando serem apenas mentiras muito repetidas, estes fatos e eventos são o novo espírito do tempo em quase toda a América do Sul. Os eventos dos últimos dias na Bolívia, que praticamente todo mundo está chamando de “golpe”, mesmo que apenas à falta de uma palavra mais amena, só tornaram tudo mais evidente e agudo.
A Bolívia teve um impacto maior porque os fatos se sucederam em poucas horas e a incerteza ainda é total, tudo pode acontecer, ninguém parece ter a capacidade de controlar a situação. Para além das consequências políticas, dos desdobramentos de poder inclinando à esquerda e à direita, das repercussões na imprensa, o humor entre os militares, a reação da Igreja, uma coisa é certa: o dinheiro pisou no freio. O dinheiro não tem partido, nem se importa muito com coerência ideológica, mas ele tem medo da incerteza grave e alergia mortal à instabilidade política em tais dimensões.
O noticiário internacional está assustando e espantando os homens de negócio no mundo inteiro com as imagens infernais.