O Caso Vera Magalhães mostra que é preciso mais argumento e menos paixão na análise política

Os profissionais do jornalismo que fazem análise política estão quase todos marcados com o ferro de suas simpatias e antipatias, que coincidem com as preferências e restrições da orientação editorial das empresas para as quais trabalham. Assim, u ouvinte, telespectador ou leitor apenas raramente consegue receber uma análise rica em pontos de vista diferentes, enriquecedores, com consistência e profundidade, com contexto e visão histórica. Foi o jornalismo quem mais contribuiu para a tal “polarização” que todos condenam – afinal, é o jornalismo brasileiro que simplifica tudo quando diz que uma questão tem dois lados – quando, na verdade, uma questão tem muitos ângulos.

A experiente jornalista Vera Magalhães, que tem uma extensa trajetória no mercado, foi a mostra mais evidente da paixão dos analistas políticos. Bastou Lula e Dória trocarem cumprimentos para que ela saísse de seu conforto e atacasse o governador de São Paulo. Sim, a palavra é também paixão, porque envolve amor e ódio. O caso Lula-Dória apenas é exemplar das grandes regras da imprensa tradicional: Lula, Dilma e o PT estão banidos, e a imprensa há cinco anos mantém seus artilheiros diariamente dizendo que Lula é Bolsonaro com sinal trocado, que o PT é o PSL com sinal trocado, que o governo do PT foi um desastre…há outras, como Sérgio Moro é intocável, Paulo Guedes é competente, o Congresso trabalha pouco, os políticos custam caro…

Menos paixão e mais argumentos contra ou a favor de quem quer que seja é o que pedem e esperam ouvintes, telespectadores e leitores.

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