A batalha entre o presidente da República Jair Bolsonaro e a Rede Globo não tem nada de republicano. São questões de gosto, preferências, interesses e de ideologia, possivelmente de parte a parte. Não há admiração e respeito mútuos e nem um, nem outro parecem estar agindo com base em princípios e valores. O presidente tem um mandato popular e está preso (ou deveria estar) às regras e limites constitucionais da impessoalidade. Da mesma maneira, a Rede Globo é beneficiária de uma concessão pública (no caso de rádios e televisões), também sujeita a regulações específicas de interesse público. Ambos dão sinais claros de ultrapassar essas fronteiras.
O Presidente, entretanto, entre os dois, é mais direto e mais explícito. Antes mesmo de assumir e ainda na campanha anunciava que após a posse cortaria pelo menos a sessenta por cento os valores da verba de propaganda do governo e de estatais à emissora. Depois da posse, chegou a demitir um ministro (Bebiano) apenas porque este recebeu um dirigente da televisão para conversas no Palácio do Planalto. Depois seguiram-se declarações breves , mas regulares, de desapreço e quase agressão à Rede Globo. E por várias vezes (como candidato e como presidente) sinalizou a simpatia às empresas concorrentes SBT e Record.
Neste 7 de setembro, o Presidente fez um lance explícito e o expôs a toda a nação. Colocou à sua direita e à sua esquerda os presidentes da Record e do SBT, Edir Macedo e Silvio Santos. Simbolicamente, o presidente atravessou o Rubicão (o general César cruza o Rio e invade Roma para tornar-se Imperador).
O lance de Bolsonaro foi rápido, está feito e é explícito. É a vez da Globo, que deverá agir lenta e sutilmente, se não mudar seu estilo.
E o jogo muda: Edir Macedo e Silvio Santos devem entrar em campo ainda mais, digamos, motivados.