O mínimo jornalismo e o máximo impacto

Os debates televisivos com os candidatos à presidência da República (em forma de entrevista ou debate entre eles), ainda que sejam tão poucos e tão breves, mesmo que não tenham alcançado abrangência e profundidade na discussão dos reais problemas do país e de sua gente, causaram importante impacto na opinião pública. Sim, eles mostram o potencial imenso do bom jornalismo, se e quando praticado com profissionalismo e qualidade.

As entrevistas do Jornal Nacional da Globo estão sendo repetidos, comentados e repetidos sem parar. O mesmo deverá ocorrer com o debate coletivo nos estúdios da Bandeirantes. O povo brasileiro quer, gosta e precisa de jornalismo sério e honesto, sem vieses e manipulação. E está carente disso faz tempo.

A grande imprensa brasileira está devendo faz tempo, continua devendo e recusando-se a fazer bom jornalismo. Os eventos recentes mostram que há condições e potencial nos veículos e que ainda há profissionais capazes de fugir da simplificação obtusa.

Ciro, Bolsonaro, Lula e Tebet, para citar apenas quatro, merecem, por méritos e por defeitos, o crivo da imprensa. O que tem sido feito historicamente está muito abaixo do mínimo jornalismo.

O Brasil tem uma complexidade que a imprensa tradicional ignora solenemente. O brasileiro médio não recebe informação em quantidade, qualidade, profundidade e diversidade necessárias.

A imprensa ajuda a enfraquecer a democracia quando enfraquece e manipula a realidade política e econômica. E ela própria se enfraquece perigosamente quando se desvia consciente e continuadamente de sua missão e de sua função.

À beira de um abismo, ainda  produzimos exemplos de como o mínimo jornalismo produz impactos decisivos.

Talvez não seja tarde demais para salvar o jornalismo, a política e a democracia.

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