O Poder Judiciário está no centro da disputa do poder político. Ele colocou-se lá já faz algum tempo e parece confortável com a situação. O poder de fazer cumprir imediatamente suas decisões dá-lhe uma potência incomum aos outros dois poderes, Legislativo e Executivo, que normalmente precisam agir articulados e seguindo protocolos que exigem tempo que se alonga em semanas ou meses.
O Mensalão e a Lava Jato colocaram a mais alta corte do poder judiciário, o Supremo Tribunal Federal na vida pública, cobrindo a administração e a própria política de disputa do poder. O argumento da convicção e o espaço aberto da interpretação das leis (ambos contando com a unidade que sempre vigorou entre os juízes) abrem o campo para que decisões judiciais interfiram nos mandatos, nas gestões, nos orçamentos e até nas eleições.
Membros do executivo e do legislativo sendo afastados, investigados, denunciados e até presos criaram um clima impróprio a uma democracia estável.
A imprensa adere a esta nova situação com evidente conforto, sobretudo quando se trata da imprensa tradicional, que sempre adentra a disputa política e tenta fazer vencer aqueles alinhados com suas convicções e preferências. Parte do parlamento também adere. O Poder Executivo sabe que também está exposto e pode ser ameaçado.
Nem as graves questões da crise econômica e sanitária têm mais espaço que o judiciário. Mas a qualidade da informação e da opinião continuam muito baixas.