O raro jornalismo a partir do ponto de vista do trabalhador

A imprensa tradicional brasileira está perfeitamente identificada com os interesses do que se convencionou chamar de :mercado”, que privilegia a visão do sistema bancário e das gigantescas empresas. Raramente, o ponto de vista do trabalhador aparece como pauta de reportagens, mais raramente ainda merece análises e quase nunca são tratados com profundidade e viram sequência. Em função disso, vale destacar nesta semana as matérias da revista Carta Capital e do The Intercept Brasil.

O The Intercept Brasil explica que essa postura faz parte de sua proposta editorial e institucional:

“…Ambev, Facebook, Riachuelo, Uber e iFood foram algumas das empresas nas quais miramos nos últimos dias. Sabe por que temos liberdade para investigar e denunciar dessa forma? Porque o Intercept não depende de anúncios ou acordos…”

A revista Carta Capital fez uma matéria relatando problemas dos trabalhadores dos “call centers” (centrais telefônicas ativas e passivas) que são atualmente um dos maiores empregadores no Brasil. Veja trechos:

“…Porta de entrada de muitos brasileiros com qualificação mais baixa no mercado de trabalho, o setor emprega hoje mais de 1 milhão de pessoas, segundo estimativas do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações. A maioria ganha um salário mínimo. A rotatividade é altíssima: 60% dos postos de trabalho se renovam em um ano. A categoria é dividida em três grandes ramos. As operadoras de telefonia móvel, os prestadores de assistência técnica (como internet e TV a cabo) e os serviços de telemarketing. Esses últimos são os mais vulneráveis, pois são quase sempre terceirizados, atendendo empresas de dentro e fora do país…”

“…Rodrigo*, de 19 anos, trabalha em uma sucursal da empresa AeC em Montes Claros (MG). Divide o espaço com outros 1200 funcionários. A sede fica no subsolo de um shopping, e não há saída natural de ar. Como só tem vinte minutos para o almoço, os funcionários acabam amontoados em uma cantina…”

“…Na sede da Intervalor, em São Paulo, mais de 3.000 funcionários dividem as estações de trabalho. Gestantes, idosos e pessoas com baixa imunidade foram dispensados, mas o volume de gente circulando no galpão ainda é grande…”

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