As entrevistas são, neste momento, um dos elementos mais usados no jornalismo, sobretudo nas redes sociais, onde é possível produzir o programa com a presença física ou apenas virtual do entrevistado, além de compor uma banca de entrevistadores também virtualmente, para ampliar e enriquecer o grupo. Fato é que o entrevistado e o coordenador da entrevista são os fatores mais decisivos para um bom resultado jornalístico. Uma coordenação bem feita exige um âncora especialmente bem informado sobre o tema e sobre o entrevistado, e dele também se exige especial atenção e foco para ditar o ritmo, corrigir rumos e conter excessos (e compensar déficits) dos perguntadores. O entrevistado, então, fornecerá o clima e o conteúdo (além de informações e contexto) para um desempenho vivo, atraente ao público.
O Roda Viva, da TV Cultura, de São Paulo, tem divulgado no YouTube seus programas antigos e recentes. Esta semana teve destaque a participação como entrevistado (do segundo semestre de 2010) o ex-ministro José Dirceu, sendo âncora a jornalista Marília Gabriela, e quatro experientes analistas políticos (Sérgio Lírio, Paulo Moreira Leite, Guilherme Fiúza e Augusto Nunes), na banca, quase todos querendo “massacrar” o entrevistado, interrompendo suas respostas, provocando-o o tempo todo e escolhendo apenas assuntos constrangedores. Em todo caso, a âncora fez boa condução e “sustentou” o ritmo e o interesse. Os entrevistadores pressionaram no limite. Acrescente-se que o entrevistado parecia advertido e pronto para o “massacre”.
Noutro programa, de 2014, o âncora era Augusto Nunes e o entrevistado, Arnaldo Jabor. Entrevistadores bem comportados e delicados, perguntas suaves. O cenário e a estrutura de produção quatro anos depois era muito melhor. Entretanto, o programa tem baixo desempenho. O âncora não se saiu bem, sem domínio do tema e sem foco, e o entrevistado parecia distraído, disperso (várias vezes pedia pra repetir a pergunta por não ouvir direito e noutras ocasiões esqueceu a pergunta).
Vale ver os dois programas em sequência. Muitas lições a tirar. Um bom resgate histórico também.