Midia Crítica pediu a um atento observador das cenas e discursos das sessões plenárias do Supremo Tribunal Federal para analisar (e se preciso especular) sobre a fala do ministro Gilmar Mendes na quarta-feira sobre a Lava Jato e seus principais personagens, o hoje ministro da Justiça e então Juiiz Seergio Moro e o procurador chefe da força-tarefa do Ministério Público Deltan Dalagnol.
Eis o resumo do que o analista sugere ter percebido como mensagens jogadas nas entrelinhas da fala:
- Gilmar Mendes citou várias vezes o The Intercept Brasil validando as informações divulgadas e reforçando sua verossimilhança e veracidade, ao dizer que “nunca foi desmentido”;
- Com isso, o ministro leva para o plenário da Corte todas as denúncias do The Intercept, que alguns jornalistas simpatizantes da Lava Jato ainda teimam em manter como “supostas” ou “ilegais”;
- O ministro citou nominalmente seus colegas Edson Fachin, Luiz Fux, Carmen Lúcia e Dias Toffoli em meio a eventos e transcrições constrangedoras provocadas pela Lava Jato;
- Para aliviar a carga das citações aos colegas, Gilmar colocou-se ele mesmo no mesmo roll de insultados pela Lava Jato e seus destacados membros Moro e Dalagnol;
- Para o ministro Luis Roberto Barroso, que Gilmar Mendes não citou nominalmente, ficou o silêncio que pode dizer muito mais – além de deixar o ministro Barroso fora do grupo de vítimas dos insultos;
- Gilmar Mendes deveria saber que sua exposição não seria levada ao ar pelas grandes redes de televisão (defensoras incondicionais da Lava Jato), ficando restrita ao plenário e às redes sociais;
- De tudo o que o ministro disse o menos importante são as implicações legais, até porque ele não tratou delas e a sessão não tratava diretamente do tema. Por isso, os “recados” é que importam;
- O que vai acontecer nos próximos dias e nos próximos julgamentos vai explicar o que não se percebeu ou não se entendeu da fala.