Otimismo da retomada do crescimento começa a brigar com números reais da economia

A imprensa comercial tradicional tem apoiado incondicionalmente o ministro Paulo Guedes, acima e além de qualquer outra personalidade do governo, inclusive o presidente da República. A tal ponto o ministro é elogiado sem critérios que, mesmo que ele não apresente o teor das reformas (a tal Agenda do Paulo Guedes), elas são aplaudidas e recebem adjetivos como “modernas, modernizantes, necessárias, indispensáveis, inadiáveis, consistentes, corretas, oportunas, liberais…”. Em função disso, jornalistas e especialistas que fazem análises são obrigados a ser otimistas com o futuro, porque não há resultados concretos em números para dar suporte. Assim eles repetem coisas do tipo: “a retomada depende das reformas”, “com as reformas a retomada se consolidará”, “sem as reformas o país quebra”…

O problema está no fato de que com o passar do tempo os números negativos aparecem e atingem ora a geração de empregos, ora a balança comercial, ora a saída de investidores estrangeiros, ora o desempenho do comércio, da indústria e dos serviços – todos eles com números abaixo dos alcançados até 2012.

A promessa do ministro Paulo Guedes de zerar o déficit em um ano, ou seja, em dezembro de 2019, não foi cumprida. Aliás, a única ação concreta do ministro nesta direção é paliativa e de efeitos passageiros: a arrecadação de dinheiro com a venda de ativos nacionais, que chegaram perto de cem bilhões de reais ano passado.

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