Ricardo Boechat era um jornalista excepcionalmente talentoso. Experiente, saia-se bem no rádio, na televisão e nos impressos. Temperava bem simpatia e rigor, com a dose certa de ironia ou bom humor, quando cabia. Impossível dizer se ele preparava-se previamente ou arriscava o improviso, mas costumava-se sair-se bem, até quando defendia o indefensável ou repetia as narrativas do posicionamento consensual da imprensa tradicional.
Sua morte num acidente de queda de helicóptero provocou uma substituição não planejada. Eduardo Barão, que o acompanhava desde muito tempo, o substituiu, o que era esperado, na Band News FM em rede nacional pelas sete da manhã.
Mantido o formato, Eduardo Barão tem que repetir as “entradas” que Boechat fazia. E aí o problema. Uma adaptação lenta era esperada e Barão tem simpatia do ouvinte.
Entretanto, na hora da opinião, ele não brilha. Em vez de listar argumentos, como fazia Boechat, e ilustrá-los adequadamente, Barão recorre à ênfase. Joga indignação onde caberiam os necessários argumentos e as naturais ponderações.