Montanha russa do câmbio: percebido lá fora, o absurdo é normalizado aqui no Brasil.

Além de ser a figura mais poderosa do mundo, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, deve ser uma das pessoas mais bem informadas sobre o que ocorre com os grandes fluxos de dinheiro. Não deixa, pois, de ser especialmente significativo o fato de que ele reage contra uma variação desproporcional da taxa de câmbio dólar versus real. Só isto já seria o suficiente para indicar que a variação de dez por cento em menos de 150 dias é algo inexplicável e inaceitável, principalmente num país que tem contas comerciais superavitárias, tem reservas cambiais de 360 bilhões de dólares, não está no mercado buscando dívidas e empréstimos e tem recebido dezenas de bilhões de dólares em investimentos externos diretos todo ano há década e meia pelo menos.

Mas a estranheza se torna maior ainda quando o Brasil é citado na mesma ocasião (com a mesma acusação) ao lado da Argentina, um país quebrado, endividado, sem reservas, pedindo socorro ao FMI e aos banqueiros.

Vê-se que é duplamente impensável o que está ocorrendo no país, nas barbas do Banco Central, que teria, se quisesse, todas as condições de evitar esse tipo de especulação, usando ferramentas e mecanismos plenamente aceitáveis pelo mercado.

O problema fica no âmbito da negação mais simples. Economistas, jornalistas e o próprio ministro da Economia tratam de normalizar o que parece um absurdo.

A Veja deu capa ao assunto na sexta-feira. A matéria ficou pobre com a reação surpreendente de Donald Trump.

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