Perto de virar centenário, O Povo fragiliza opinião

O jornal O Povo, de Fortaleza, está descuidando de um de seus pontos fortes estratégicos, a opinião. Ainda nas últimas décadas do século passado, o veículo concebeu e organizou a sua editoria de opinião, atraindo acadêmicos, intelectuais e analistas de qualidade e independência para escrever artigos analíticos e opinativos com regularidade.

Os convidados eram colaboradores voluntários e se submetiam às regras básicas de tratar sempre de assuntos relevantes, oportunos e de interesse geral. Os autores deveriam dominar as áreas que abordam e fazer análise com argumentos sólidos antes de opinar. A qualidade dos textos era pressuposto. Os três critérios é que eram decisivos.

O Mídia Crítica examinou sete artigos das edições de dois dias seguidos. As pessoas são qualificadas e os textos estão bem escritos. Mas os temas são desimportantes, distantes no tempo e de interesse limitado.

O Povo, de Fortaleza, caminhará nos próximos quatro anos para alcançar o status de jornal centenário. É uma empresa familiar e o seu comando está nas mãos da quarta geração, exemplo de rara longevidade entre empresas cearenses, mas nem tanto entre negócios de certos setores bem específicos ou especializados (comunicação, bancos, agropecuária …) no país e no mundo.

O veículo tem uma natureza fortemente conservadora, que se empenha por equilibrar com uma abertura para o diálogo com a sociedade e com um conjunto de valores e princípios escritos dos quais busca não se afastar perceptivelmente. Do ponto de vista administrativo, mantém bom nível de flexibilidade e criatividade, sobretudo nas áreas de receitas e cuida bem de seus mais relevantes clientes.

Se, de um lado, a competição tradicional diminuiu substantivamente, posto que não há mais adversários aguerridos, por outro, há uma concorrência nova e difusa à qual nem O Povo não soube ou não sabe responder. Claro, a internet está sufocando os veículos impressos tradicionais. Estão se derretendo lentamente muitos jornais e revistas em quase todos os mercados.

O Ceará já é muito pobre. Não pode perder mais qualidade na sua imprensa.

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