Programas de debate no rádio se multiplicam e erros irritam ouvinte

As emissoras de rádio estão cada vez mais abrindo seus estúdios e microfones para os debates. Dois temas principais ocupam as discussões e os melhores horários e conquistam audiência expressiva: política e futebol. A política vem ganhando prioridade nos últimos cinco anos, mais ou menos, em função dos próprios acontecimentos da área – impeachment de uma presidente, prisão de um ex-presidente, atentado contra um candidato, eleições ditas polarizadas e, por último, mas não menos importante, a tramitação da agenda de interesses econômicos que transita nas duas casas do Congresso Nacional, a câmara dos Deputados e o Senado. No caso do futebol (bem que poderia ser dos esportes, mas, infelizmente, só o futebol parece maduro profissional, estrutural e financeiramente falando para comportar tal investimento), o rádio sempre lhe dedicou muito tempo, mas o debate com prioridade e mais tempo é prática quase unânime mais recente.

Os erros naturais de um processo em evolução permanente, entretanto, chegam a irritar o ouvinte mais sensível e que busca no rádio um veículo mais amigável.

Um desses erros é a confusão  quando não há uma moderação competente e os debatedores falam ao mesmo tempo, investindo mais na ênfase do que no argumento para convencer o ouvinte ou vencer o interlocutor. É preciso entender que o que no estúdio pode ser um sinal de espontaneidade, efervescência e animação, para o ouvinte é apenas bagunça sonora. A questão de origem é que tanto o futebol quanto a política provocam paixões que não deveriam dominar os debatedores (a paixão deve ficar no ouvinte).

Outro desses erros acontece especificamente no debate político. Nunca há equilíbrio entre os posicionamentos dos analistas políticos. Nenhuma das grandes redes de rádio mantém regularmente debatedores que representem todas as correntes de pensamento. Parece mesmo que os debatedores são todos selecionados de maneira que pensem ou igual ou de forma muito parecida. Evidentemente, o debate desaparece por falta de diversidade de pontos de vista, e termina o programa ficando parecido como uma evangelização que se repete dias após dia.

Outros problemas são a concentração do foco em regiões do país, entre os grandes e mais famosos, a ignorância sobre o Brasil mais para cima e mais para dentro, tanto na política, quanto no futebol.

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