Por estes dias tem sido comum ouvir de jornalistas, sobretudo analistas políticos dos veículos de comunicação e também de economistas do mercado que o orçamento anual do país é a peça política e econômica mais importante, decisiva. E é verdade. No orçamento, o discurso se torna prático, tudo vira finanças e uma montanha de dinheiro se definirá, ou seja, dirá de onde vem e pra onde vai. É quando política e dinheiro dão-se as mãos e entram na vida real.
Apesar disso, Brasil nada ou muito pouco sabe sobre seu orçamento. A imprensa prefere tratar o cidadão e a cidadã como crianças e não informa em adequada amplitude e em mínima profundidade. Alguns veículos mais desinformam do que informam. Os governos e os parlamentos (nas esferas federais , estaduais e municipais) seguem a mesma linha, numa lamentável conivência. Com essa atitude perdem o direito natural de falar em cidadania e transparência.
Nesta semana a sociedade foi desinformada sobre seu orçamento do próximo ano. Ela não saberá o que realmente importa, as verdadeiras prioridades e os agentes que os dinheiros privilegiam.
Devem essas três instituições (governo, parlamento e imprensa) terem algum acordo tácito de calar, fazer um silêncio obsequioso para não incomodar corações e mentes sensíveis. Governo e parlamento podem dizer que cumprem a lei. A imprensa é livre e pode ir além da lei e deve respeitar compromissos com os fatos, com a população, com suas cartas de princípios, com seus valores, sua tradição.
Numa caricatura de jornalismo televisões dedicam horas a analisar e opinar sobre cinco bilhões de reais para financiar as próximas eleições, mas não explicam minimamente os cinco trilhões de reais do orçamento aprovado.
Que tal fazer bom jornalismo a partir do orçamento?