Queda da Iracema Guardiã é destaque na mídia e redes sociais – Paulo Verlaine*

Ninguém guardou Iracema. O desabamento, depois de forte ventania em 3/4 último, da estátua Iracema Guardiã, do escultor Zenon Barreto (1918-2002), localizada na praia do mesmo nome, motivou reações na mídia cearense, nacional e também nas redes sociais.

Sente-se falta, no entanto, de uma abordagem mais completa sobre o descaso com as obras de arte em locais públicos de Fortaleza.

“Iracema Guardiã cai na Praia de Iracema” é o título da matéria do Diário do Nordeste (versão digital), escrita por João Lima Neto.

“Estátua de Iracema Guardiã, um dos principais pontos turísticos de Fortaleza, desaba do pedestal”, noticia o site G1 (da Globo).

“Após queda, estátua de Iracema Guardiã é retirada para reparo”, publica o site de O Povo em 4/4. Tudo muito superficial.

Nas redes sociais o fato mereceu tratamento mais questionador. -O jornalista Eliézer Rodrigues é quem aborda melhor a questão no seu perfil do Facebook:

“A reportagem… não focalizou o real problema do imbróglio. O jornal diz, na manchete, que a peça “é retirada para REPARO”, o grifo é meu.
Não existe reparo para aquilo que foi destruído, como o que aconteceu com a peça original de Zenon Barreto. Foi assassinada duas vezes. Tem que ser contratado um escultor para fazer uma nova escultura, inspirada na peça original.

– Ô prefeito Sarto, não cometa o mesmo erro que seus antecessores cometeram, ao longo dos anos, contra a obra de um dos maiores artistas plásticos cearenses, Zenon Barreto. Por favor!!!”

Com o arco

O monumento foi inaugurado em 1966 e mostra a personagem de José de Alencar, com um arco retesado, na postura de protetora do litoral fortalezense.

Outros casos

Há outros episódios também recentes e mais graves:
-No dia 26 de janeiro de 2022, o jornalista Demitri Túlio faz alerta na sua coluna em O Povo: “Museu do Ceará não pode mais esperar (título). Ressalta, no início do texto: “Reforma do Museu do Ceará precisa ser tocada com urgência. Prédio tem 150 anos e falta de manutenção pode dar num incêndio e perda de pelo menos 13 mil peças do acervo”.

-Em 29 de maio de 2020, a estátua Mulher  Rendeira, do escritor pernambucano Corbiniano Lins (1924-2018), que ficava na área externa do Banco do Brasil, na avenida Duque de Caxias, no cruzamento da rua Barão do Rio Branco, foi destruída durante a reforma da agência bancária. O cantor, compositor e produtor musical Calé Alencar denunciou o vandalismo no Facebook. Corbiniano Lins é ainda o autor do monumento a Iracema e Soares Moreno, na avenida Beira Mar, em Fortaleza.

-A Praça Brigadeiro Eduardo Gomes (popularmente chamada de Praça do Vaqueiro), que ficava defronte ao antigo Aeroporto Pinto Martins, foi transformada em estacionamento. O monumento dedicado ao vaqueiro, também de autoria do pernambucano Corbidiniano Lins, é homenagem à resistência sertaneja às intempéries. A estátua permanece perto dos carros e corre risco de ser também destruída.

É preciso política eficiente e ágil na defesa dos monumentos públicos. Do contrário, nada sobrará.

*Paulo Verlaine Coelho, jornalista e escritor, é editor do Mídia Crítica.

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