A revista semanal Época aborda a crise econômica e política do país. Entre tantos outros elementos que têm provocado um certo mal-estar na sociedade e um clima de beligerância mesmo dentro do ambiente familiar (dívida, desemprego, agressividade…), abre-se espaço para as questões dos efeitos psicoss0ciais. Psicólogos e psiquiatras são entrevistados pela revista e reconhecem que a situação já alcançou um estágio elevado e sem precedentes recentes. Leiam trechos selecionados:
“…Muitos se sentem insanos neste momento porque o Brasil e o mundo estão longe do que se convencionou chamar de são. As crises — política, econômica, ambiental, cultural — abalam o otimismo natural dos homens e a crença na bondade humana e no progresso.(…)
…Christian Dunker, psicanalista e professor da Universidade de São Paulo (USP), disse não se lembrar de tempos como os atuais. “Atendo há 30 anos, já assisti a outros momentos tensos. Mas nunca a política ocupou tanto espaço na vida das pessoas.”
…Outro fator é a precarização do trabalho e da renda, apontada pelo psiquiatra e psicanalista Nilson Sibemberg como fator de depressão e angústia. “As pessoas estão com um temor muito grande de perder aquilo que é seu sustento. Isso se traduz em mais depressão e mais angústia”, afirmou.(…)
Para Dunker, o presidente Bolsonaro é um agente de ativação “das modalidades de sofrimento e de sintoma que já estão presentes” nas pessoas. “Ele torna mais agudo os conflitos familiares, de raça, de gênero, de classe. Faz isso ao se instituir como referência simbólica para a prática da autoridade pública, o registro opressivo. Isso tem poder de incrementar a angústia que já estava lá.”
O psiquiatra e psicanalista Rodrigo Lage, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, tem observado “a exacerbação de ansiedade e de angústias, muitas vezes ante manifestações públicas de governantes que geram medo e insegurança”. (…)”
O tema promete. É um mar de oportunidades de bom jornalismo.