Só a Imprensa tem o poder de melhorar o desempenho do Poder Judiciário. Se ela fugir da missão, as redes assumirão

O escândalo da atuação de um juiz, de um promotor do Ministério Público e de um advogado no caso de estupro deixa absolutamente clara a impressão de que o Poder Judiciário não tem efetividade em nenhum mecanismo de auto-correção. Nem ouvidorias, nem corregedorias, nem a estrutura de comando e gestão são capazes de se opor ao espírito corporativo que prevalece e protege seus membros mesmo em casos de evidente abuso. Se o escândalo do estupro não prova, é pelo menos uma enorme e eloquente evidência de que só a imprensa pode quebrar a inércia da impunidade dentro da Justiça.

Parcialidade (todos têm direito a um juízo imparcial), lentidão (a Constituição impõe a duração razoável do processo), arbítrio e outras irregularidades afastam a maioria dos profissionais da área de seus próprios princípios e das normas previstas em lei. Quando a imprensa coloca seu foco nesses casos, a estrutura dá sinais de que vai reagir. Já é um começo, por menos que se creia na capacidade do poder de regular-se e corrigir-se. O histórico joga contra.

Se a imprensa tradicional não fizer este papel, as redes assumirão a tarefa, a missão.

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