TVs por assinatura perdem relevância

As televisões por assinatura, especialmente a Globo News e a CNN Brasil,  colocam ao redor do âncora de seus programas jornalísticos ao longo da manhã, da tarde e da noite de três a seis analistas de política e economia, de segunda a sexta-feira.

Poderia ser uma boa ideia se os debatedores não pensassem todos da mesma maneira e não tivessem absoluto cuidado para não divergir. Traduzindo: todos falam a mesma coisa. A cada vez que algum deles recebe a palavra, passa a repetir as informações já passadas e repassadas pelos colegas e também repetem a análise e a opinião. O procedimento se repete em qualquer assunto minimamente delicado, político ou econômico.

O assinante não se irrita por várias razões: os analistas são simpáticos; embrulham bem as palavras; disfarçam a repetição; a produção audiovisual tem alta qualidade e o principal é que o assinante não é capacitado para duvidar ou questionar. O assistente de um modo geral não sabe o bastante para questionar.

O pior e o mais grave é que os assuntos pautados são sérios mas a regra geral é discutir apenas aspectos irrelevantes. Se o assunto é economia, a solução para todo e qualquer desafio ou problema é simples: cortar gastos. Se o assunto é política, o problema é sempre a teimosia do presidente da República (Lula) ou o radicalismo do seu partido (PT).

A sorte das TVs por assinatura é que a concorrência é pouca e pobre em qualidade, quando não adota a mesma postura editorial. Nesse contexto, essas TVs podem estar perdendo relevância.

Não é à toa que as pessoas se informam cada vez mais pelas redes sociais.

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