Um caso explícito de assassinato de reputações

O sistema bancário privado brasileiro é poderoso e exerce seu poder sempre que julga que seus interesses estão ou podem vir a ser ameaçados. A indicação do economista Márcio Pochmann para à presidência do IBGE foi considerada uma ameaça e precisava ser combatida. Por que uma ameaça, se o economista é qualificado (titulação acadêmica máxima, professor de respeitada universidade, dezenas de livros publicados etc) tem um nome limpo e uma trajetória exemplar? E o IBGE não tem conexão direta com a política econômica.

O setor bancário não vê assim. Para eles, o Banco Central é intocável. Nó passado Marcio Pochmann criticou o Banco Central, dizendo ser uma espécie de “sindicato dos banqueiros” e questionou a submissão da ação do BC a uma pesquisa pouco rigorosa, nada científica, a pesquisa semanal Focus. É isso.

Ameaça identificada, o sistema convoca e põe em ação a máquina de des-informação para constranger o governo e evitar a nomeação. A imprensa tradicional é mobilizada e vidas são vasculhadas em busca de “crimes, pecados, erros e encrencas”. No caso de Pochmann nada acharam. E aí entra a des-informação. Uma colunista lança uma “fake news”, em forma de “notinha”um outro colunista comenta, a rede social multiplica e os especialistas “de mercado” montam uma lógica em torno deste nada. E sobre o nada constroem um castelo de areia.

Não há fatos, só expectativas, rumores. Não há responsabilidade definida, só referência a “setores, segmentos, fontes, aliados” do mercado ou do governo, do senado ou da câmara. O rádio repercute o jornal, o jornal repercute o rádio…Funciona assim na imprensa tradicional, parecido com o que acontece no submundo das redes sociais. Profissionais de renome entram no esquema.

Esquecem-se os princípios e os valores. O jornalismo vira uma fofoca, entra o assassinato de reputações, no caso. Se o governo e o governante forem fracos, o resultado é alcançado.

Desta vez não deu certo. O que todos viram foi um striptease de grandes e importantes veículos de comunicação, Globo e CNN à frente. Duas profissionais, Malu Gaspar e Miriam Leitão, de forma destacada, comprometeram seus nomes.

Compartilhar esta publicação:

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp