Uma oportunidade para a democracia e para a imprensa

A imprensa sempre foi uma instituição essencial da democracia. Seja como palco, seja como máquina de projeção ou caixa de ressonância da vida pública, seja como mediadora dos processos políticos, seja como combustível dos eventos econômicos, ou mesmo apenas como a marcação do tempo e dos ritmos sociais, a imprensa precisa ter olhos e mentes abertas para guiar, acompanhar ou advertir as lideranças e a própria população na caminhada.

A informação é bem público estratégico. As empresas de mídia são privadas, buscam o lucro e a dominação dos mercados. Lidam com processos políticos e econômicos delicados e precisam ter princípios e valores que as ponham acima desse evidente conflito de interesses.

Os governos são fonte privilegiada de informação e objeto da análise e da opinião. Também são os governos a maior fonte de receita da imprensa. O poder público sempre foi o maior anunciante do mercado. Juntando as três esferas (municipal, estadual e federal) e somando as estatais, pode-se como regra geral estabelecer uma relação de dependência entre poder público e imprensa. Na informação, na análise política e na receita publicitária.

De parte a parte, essa relação exige alto compromisso com princípios e valores, ou todos saem perdendo, sendo a população a primeira e a maior prejudicada.

Nos últimos seis anos a vida pública brasileira viveu uma queda de padrão sem precedentes. Os limites mais mínimos de critérios foram ignorados e o jornalismo viveu uma espécie de inferno. E ainda não saiu dele.

O governo federal contribuiu decisivamente, é evidente, ao operar a máquina pública sem qualquer escrúpulo, até sem a mais básica vontade de acertar, até mesmo errando deliberadamente e de má fé. As redes sociais contaminaram o jornalismo com a mentira, a meia verdade e com o absurdo repetido e repetido. Algumas instituições estratégicas da República quase rasgaram a Constituição, como em alguns momentos e por alguns atores, aconteceu com o parlamento, as forças fardadas e armadas e com o judiciário.

É um momento dramático da história do país. Estamos diante de uma oportunidade de fazer meia volta e unir e reconstruir a nação.

A virada deste ano vai apontar o que seremos no futuro. A imprensa tem que fazer escolhas novas, diferentes, melhores, precisa voltar a merecer confiança. Para poder espalhar essa confiança.

Chega de erros deliberados!

 

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